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As opiniões
não trinitarianas, tais como o modalismo e o arianismo, reduzem
a doutrina da salvação a uma charada divina. Todas
as convicções cristãs básicas que se
centralizam na obra da Cruz pressupõem a distinção
pessoal dos membros da Trindade. Refletindo, podemos perguntar se
é necessário crer na doutrina da Trindade para ser
salvo. A resposta histórica e teológica é que
a Igreja não tem usualmente exigido uma declaração
explícita de fé na doutrina da Trindade para a pessoa
ser batizada. Mas a Igreja certamente espera uma fé implícita
no Deus Trino e Uno como aspecto essencial do nosso relacionamento
pessoal com os papéis distintivos de cada uma das Pessoas
da Deidade, na obra salvífica em prol da humanidade.
A
doutrina da salvação (inclusive a reconciliação,
a propiciação, a redenção, a justificação
e a expiação) depende da cooperação
dos membros distintivos do Deus Trino e Uno (Ef 1.3-14). Por isso,
renunciar deliberadamente a doutrina da Trindade ameaça gravemente
a nossa esperança de salvação pessoal. As Escrituras
incluem todos os membros da raça humana na condenação
universal do pecado (Rm 3.23), e por isso, todos precisam da salvação;
a doutrina da salvação requer um Salvador adequado,
ou seja: uma cristologia adequada. Uma cristologia sadia exige um
conceito satisfatório de Deus, isto é, uma teologia
especial e sadia que nos traz de volta à doutrina da Trindade.
O
conceito modalístico da natureza de Deus deixa totalmente
abolida a obra mediadora entre Deus e as pessoas. A reconciliação
(2Co 5.18-21) subentende deixar de lado a inimizade ou a oposição.
Qual inimizade é deixada de lado?
As
Escrituras revelam que Deus está em inimizade contra os pecadores
(Rm 5.9), e que as pessoas, nos seus pecados, também estão
em inimizade contra Deus (Rm 3.10-18; 5.10).
O
Deus Trino e Uno é revelado na Bíblia de modo explícito
na redenção dos pecadores e na sua reconciliação
com Deus. Deus "envia" o Filho ao mundo (Jo 3.16,17).
A sombra do Calvário, Jesus se submete com obediência
à vontade do Pai: "Meu Pai, se é possível,
passa de mim este cálice; todavia, não seja como eu
quero, mas como tu queres" (Mt 26.39). O relacionamento sujeito-objeto
entre o Pai e o Filho fica claramente evidente aqui. O Filho suporta
a vergonha do madeiro maldito, trazendo a paz (reconciliação)
entre Deus e a humanidade (Rm 5.1; Ef 2.13-16). Enquanto a vida
se esgota rapidamente do seu corpo, Jesus, no Calvário, olha
para o céu, e pronuncia suas últimas palavras: "Pai,
nas tuas mãos entrego o meu espírito" (Lc 23.46).
Se duas pessoas distintivas não forem reveladas aqui, no
ato salvífico da cruz, esse evento seria uma mera charada
de um único Cristo (que só poderia ser neurótico).
No
Modalismo, o conceito da morte de Cristo como uma satisfação
infinita está perdido. O sangue de Cristo é o sacrifício
pelos nossos pecados (1Jo 2.2). A doutrina de propiciação
tem a conotação de um aplacar ou evitar a ira mediante
um sacrifício aceitável. Cristo é o Cordeiro
sacrificial de Deus (Jo 1.29). Por causa de Cristo, a misericórdia
de Deus é oferecida em vez da ira que merecemos por causa
dos nossos pecados. Sugerir, porém, como faz o Modalismo,
que Deus é uma só Pessoa e que faz de si mesmo a si
mesmo uma oferta pelo pecado, estando Ele ao mesmo tempo irado e
misericordioso, deixa parecer que Ele é caprichoso. Noutras
palavras: a Cruz seria um ato sem sentido no que diz respeito ao
conceito de uma oferta pelo pecado.
O
apóstolo João identifica Jesus como nosso Paracleto
(ajudador ou conselheiro). Temos, portanto, alguém que fala
com o Pai em nossa defesa (1Jo 2.1). Agir assim pressupõe
um Juiz que é diferente do próprio Jesus, antes de
Ele desempenhar semelhante papel. Porque Cristo é o nosso
Paracleto: "Ele é a propiciação pelos
nossos pecados e não somente pelos nossos, mas também
pelos de todo o mundo" (1Jo 2.2). Temos, portanto, plena segurança
da nossa salvação porque Cristo, nosso Ajudador, é
também a nossa Oferta pelo pecado.
Jesus
veio ao mundo não "para ser servido, mas para servir
e dar a sua vida em resgate de muitos" (Mc 10.45). O conceito
de "resgate" e de suas palavras cognatas nas Escrituras
é usado com referência a um pagamento que garante a
libertação de presos. A quem Cristo pagou o resgate?
Se for negada a doutrina ortodoxa da Trindade (negando-se uma distinção
entre as Pessoas da Deidade, conforme o quer o Modalismo), Cristo
teria de ter pago o resgate ou à raça humana ou a
Satanás. Posto que a humanidade está morta em transgressões
e em pecados (Ef 2.1), nenhum ser humano teria o direito de exigir
que Cristo lhe pagasse resgate. Sobraria, portanto, Satanás
para fazer a extorsão de Cristo, em nível cósmico.
Nós, porém, nada devemos a Satanás. E a idéia
de Satanás exigir resgate pela humanidade é blasfêmia,
por causa das suas implicações dualistas.
Pelo
contrário: o resgate foi pago ao Deus Trino e Uno para satisfazer
as plenas reivindicações da justiça divina
contra o pecador caído. Tendo o Modalismo rejeitado o trinitarianismo,
a heresia modalística perverte, de modo correspondente, o
conceito da justificação. Embora mereçamos
a justiça de Deus, somos justificados pela graça mediante
a fé em Jesus Cristo somente (1Co 6.11). Tendo sido justificados
(tendo sido declarados sem culpas diante de Deus) mediante a morte
e ressurreição de Jesus, somos, portanto, declarados
justos diante de Deus (Rm 4.5,25). Cristo declara que o Espírito
é "outra" Pessoa distinta de si mesmo, porém
do "mesmo tipo" (allon, Jo 14.16). O Espírito Santo
emprega a obra do Filho no novo nascimento (Tt 3.5), santifica o
cristão (1Co 6.11) e nos dá acesso (Ef 2.18), mediante
o nosso Grande Sumo Sacerdote, Jesus Cristo (Hb 4.14-16), à
presença do Pai (2Co 5.1 7-21).
Um
Deus que muda inteiramente seus atos é contrário à
revelação da natureza imutável do Todo-poderoso
(MI 3.6). Semelhante Modalismo é deficiente no que diz respeito
salvação, pois nega a alta posição sumo-sacerdotal
de Jesus Cristo. As Escrituras declaram que Cristo é o nosso
intercessor divino à destra de Deus, nosso Pai (Hb 7.23-8.2).
Fica
claro que a doutrina essencial da expiação vicária,
na qual Cristo carregou nossos pecados na sua morte, depende do
conceito trinitariano. O Modalismo subverte o conceito bíblico
da morte penal e vicária de Cristo como satisfação
da justiça de Deus e, em última análise, anula
a obra da Cruz.
A
cristologia ariana é condenada pelas Sagradas Escrituras.
O relacionamento entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo
fundamenta-se na natureza divina que compartilham entre si, e que,
em última análise, é explicada em termos da
Trindade. "Qualquer que nega o Filho também não
tem o Pai; e aquele que confessa o Filho tem também o Pai"
(1Jo 2.23). O reconhecimento apropriado do Filho requer a fé
na sua divindade, bem como na sua humanidade. Cristo, como Deus,
é suficiente para satisfazer a justiça do Pai; como
homem, Ele cumpriu a responsabilidade moral da humanidade diante
de Deus. Na obra da Cruz, a justiça e a graça de Deus
nos são reveladas. A eterna perfeição de Deus
e as imperfeições pecaminosas da humanidade são
reconciliadas mediante o Deus-Homem, Jesus Cristo (Gl 3.11-13).
A heresia ariana, na sua negação da plena divindade
de Cristo, está sem Deus Pai (1Jo 2.23) e, portanto, sem
nenhuma esperança de vida eterna.
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