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Como Explicar a Trindade na Bíblia?
O Que a Bíblia diz?
Como explicar a Trindade de uma maneira compreensível?
O que é Trindade?
Deus, Jesus e Espírito Santo são a mesma pessoa?
Uma pessoa está dividida em três pessoas?
Cada uma dessas pessoas é um Deus?
DE MANEIRA SIMPLES E RESUMIDA PODEMOS EXPLICAR ASSIM:
- As pessoas que usam termos como trindade, Deus trino, etc. as empregam para explicar um conceito da existência de três pessoas distintas que podem ser chamadas de Deus.
- Há um só Deus (Efésios 4.6). O fato de que existem mais de uma pessoa divina não sugere múltiplos deuses. A doutrina bíblica não se compara com as doutrinas politeístas de algumas religiões pagãs.
- O Pai, o Filho e o Espírito Santo são pessoas distintas (não deuses separados).
- Jesus é Deus (João 1.1; João 8.24,58; Mateus 4.10; 14.33; 28.9,17; João 9.38; Hebreus 1.6; Apocalipse 5.9-14 etc.).
- O Espírito Santo é pessoa divina, não apenas força ativa. Não podemos negar a personalidade do Espírito Santo. O mesmo Pai que enviou Jesus enviou o Espírito (João 14.26). Jesus o chamou de "outro Consolador", mostrando que ele pertence à mesma categoria que Jesus: uma pessoa divina (João 14.16).
Vários textos apresentam o Pai, o Filho e o Espírito Santo como pessoas unidas, mas distintas (veja Mateus 28.19 e o último versículo de 2 Coríntios). O Espírito ensina (João 14.26); habita nos fiéis como o Pai e o Filho o fazem (João 14.17,23) e intercede como Cristo também o faz (Romanos 8.26,34).
Para negar tais afirmações, alguns distorcem o sentido das passagens ou até jogam fora livros bíblicos que não apóiam suas doutrinas humanas. O verdadeiro seguidor de Cristo aceitará toda a Verdade, até as coisas difíceis de entender (João 8.32; 17.17; Deuteronômio 29.29).
DE UMA MANEIRA MAIS DETALHADA PODEMOS EXPLICAR A TRINDADE COMO SEGUE, VEJAMOS.
1 A Trindade no Antigo Testamento
Várias passagens do Antigo Testamento sugerem ou mesmo implicam que Deus existe em mais do que uma pessoa, não necessariamente em uma Trindade, mas ao menos em uma relação binária.
No relato da Criação em Gênesis 1, a palavra hebraica para Deus é ‘Elohim, a forma plural de ‘Eloha. Geralmente, este plural tem sido interpretado como um plural majestático, em vez de uma pluralidade. Todavia, G. A. F. Knight tem argumentado corretamente que tomar esta forma como um plural majestático é ler no antigo texto hebraico um conceito moderno, desconsiderando que os reis de Israel e de Judá são todos tratados no singular no texto bíblico. Além disso, Knight ressalta que as palavras hebraicas para “água” e “céu” são ambas plurais. Os gramáticos têm denominado este fenômeno de plural quantitativo. A água pode aparecer em forma de pequenas gotas ou grandes oceanos. Esta diversidade quantitativa em unidade, diz Knight, é uma maneira adequada de compreender o plural ‘Elohim. Também explica por que o substantivo singular ‘Adonai é escrito como um plural. Lemos em Gênesis 1.26: “Também disse [singular] Deus: Façamos [plural] o homem à nossa [plural] imagem, conforme a nossa [plural] semelhança.” Moisés não está usando um verbo plural com ‘Elohim, mas Deus, em sua fala, usa um verbo plural e pronomes plurais com referência a Si mesmo. Alguns intérpretes crêem que Deus aqui está falando aos anjos. No entanto, segundo as Escrituras, os anjos não participaram da Criação. A melhor explicação, portanto, é a de que já no primeiro capítulo de Gênesis há uma indicação de uma pluralidade de pessoas na própria Divindade.
1.1 Pluralidade em Elohím (Gn 1.26; 3.22)
Uma das pistas bíblicas apresentadas pelos trinitários é Gênesis 1:26ª. “E disse [singular] Deus [Elohim]: Façamos [plural] o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”. Segundo o entendimento trinitário Deus se apresenta “singular” e faz o homem no “plural”. Os não trinitários argumentam que Deus falava com os anjos, contudo, se assim fosse, o homem não seria fruto da criação de Deus, mas apenas “parcialmente” fruto da criação de Deus, pois quem teria feito a obra seriam os anjos, Deus teria dado apenas a ordem; então, se tal argumentação fosse aceita, os homens seriam fruto da criação dos anjos, o que é rejeitado pelos trinitários.
Outro argumento que os trinitários entendem incoerente na argumentação dos opositores é que se os anjos é que conversavam com Deus, então os homens não são a imagem e semelhança de Deus, mas a imagem e semelhança dos anjos; o que não é confirmado por outras passagens bíblicas, logo é rejeitado pelos trinitários.
Assim, os trinitários entendem que quando Deus disse “façamos o homem conforme a nossa imagem” ele falava com os outros dois seres incriados e uno com o Pai, autor [trino] da criação, falava com o Deus Filho [Jesus] e com o Deus Espírito [Espírito Santo]. O homem foi criado a imagem do Pai, do Filho e do Espírito Santo, à imagem de DEUS e não à imagem dos anjos.
Também em Gênesis 3.22a é encontrado diálogo semelhante: “Então disse o Senhor (YHVH) Deus [Elohím]: Eis que o homem é como um de nós [plural], sabendo o bem e o mal”. Para nós trinitários tanto o Pai, como o Filho, como o Espírito Santo é o Deus uno, apresentando assim o termo Deus no singular e as pessoas no plural. Tais evidências da unidade composta seriam justificadas, dentre outras, pelas seguintes passagens bíblicas que apresentam o Pai, o Filho e o Espírito como Deus. Como nas passagens acima, os trinitários reconhecem em outras passagens bíblicas a apresentação do único (echad) Senhor (YHVH) na forma trina do Pai, do Filho [Jesus] e do Espírito Santo.
1.2 Unidade composta YHVH (Dt 6.4)
A linguagem do Antigo Testamento alude a Triunidade divina. “Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR” (Dt 6.4). O monoteísmo exclusivista tem por base fundamental o texto constante de Dt 6.4, que em hebraico diz: “ximah Israel lhuh Eloheinu lhuh Echadi”, que traduzido fielmente significa: “escuta, Israel: o eterno, é nosso Deus, o eterno é um”. Diz Deuteronômio que Javé é o único. O termo “único” no original hebraico é Echad e está no construto. Se essa unidade fosse absoluta, como querem alguns, a palavra correta aqui seria Yachid, a mesma usada em Gn 22.2: “Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque...” para a unidade absoluta. Acontece que Echad é uma unidade composta, é a triunidade de Deus. Como pode marido e mulher ser “uma só carne?” (Gn 2.24). A palavra “uma”, nessa passagem, é Echad, a mesma. Na versão da Septuaginta o texto de Dt 6.4 é traduzido assim: “Akoue, Israel, kurios ó Theon emon eis esti” – que traduzido literalmente significa: “Ouve, Israel, o Senhor o Deus nosso, o Senhor um é”. Jerônimo traduziu o grego dos 70 para o latim, conforme consta da Vulgata: “Audi, Israel, Dominus Deus noster, Dominus unus est.” A tradução inglesa diz: “Hear, O Israel: The LORD our God is one LORD”. A tradução espanhola diz: “Oye, Israel, Jehová nuestro Dios, Jehová uno és.” Isto significa que o texto em hebraico exprime precisamente ser a Divindade criadora, eterna, uma unidade composta, posto que é isto que exprime o adjetivo Echad, conforme comprovam os exemplos seguintes: A Bíblia define o adjetivo Echad – um, como um adjetivo que admite composição, a saber: admite em seu sentido uma associação de dois ou de muitos outros, sem lhe alterar o sentido. Vejamos algumas referências que o comprovam: “por isso deixa o homem pai e mãe, e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne”. Gn 2.24. Neste texto, o adjetivo Echad admite a associação de dois em um só. “Todos os Filhos de Israel, e a congregação se ajuntou... como se fora um só homem”, 1Sm 11.7. “... ajuntou-se o povo, como um só homem em Jerusalém” (Ed 3.1). “Porque os sacerdotes e levitas se tinham purificado como se fossem um só homem” (Ed 6.20). “... todo povo se ajuntou como um só homem” (Nm 8.1). Em todos estes textos citados, o adjetivo Echad demonstra que admite associação de dois e de muitos sem lhe alterar o sentido. E, pasmem os monoteístas exclusivistas, é este adjetivo – Echad – um, que é aplicado à Divindade em todo o Antigo Testamento.
Outra palavra hebraica para único é Irrid. Único, é uma unidade absoluta, exclusiva, que em absoluto, não admite qualquer associação, para poder exprimir o seu sentido restritivo, absoluto, posto que, qualquer associação que se lhe fizer, altera-lhe 100% o sentido que tem. Vejamos a seguir uma citação bíblica que o comprova: “... toma teu filho, teu único filho, Isaque a quem tu amas...” disse Deus a Abraão.
Outras distinções pessoais na Deidade são reveladas nos textos que se referem ao “Anjo do SENHOR”. Esse anjo é distinguido de outros anjos. É pessoalmente identificado com Javé e, ao mesmo tempo, distinguido dEle (Gn 16.7, 13; 18.1, 21; 19.1, 28; 32.24, 30). Jacó diz: “Tenho visto a Deus face a face”, com referência ao Anjo do Senhor.
1.3 O Anjo do Senhor
A expressão “Anjo do SENHOR” aparece cinqüenta e oito vezes no Antigo Testamento, e “o anjo de Deus”, onze vezes. A palavra hebraica mal’ak (anjo) significa simplesmente “mensageiro”. Portanto, se o “Anjo do SENHOR” é um mensageiro do SENHOR, ele deve ser distinto do próprio SENHOR. No entanto, em vários textos o “Anjo do Senhor” é também chamado “Deus” ou “SENHOR” (Gn 16.7-13; Nm 22.31-38; Jz 2.1-4; 6.22). Os Pais da Igreja O identificavam com o Logos pré-encarnado. Eruditos modernos O têm visto como um ser que representa a Deus, como o próprio Deus, ou alguma força externa de Deus. Eruditos conservadores geralmente concordam que “esse ‘mensageiro’ deve ser visto como uma manifestação especial da existência ou essência do próprio Deus.” Portanto, temos aqui outro indicador da pluralidade de pessoas na Divindade.
Passagens que se referem ao Anjo do Senhor: Gênesis 16.7-10; Gn 18.1-19; Gênesis 19.1-22; Êxodo 3; Juízes 13.3-21; Juízes 6.11-22; Isaías 69.9; Zacarias 3.4; Isaías 63.9; Êxodo 23.23. Isaías 43.11.
A concepção trinitária de Deus não é produto de especulação filosófica, mas o reflexo não só do Novo Testamento, mas também de igual maneira dos fatos revelados no Velho Testamento.
Deus e o Espírito de Deus já são distinguidos desde a primeira página das Escrituras, e entre eles o anjo de Deus se coloca como mediador da aliança (Gênesis 16) e como líder de Israel (Êxodo 14:19); o anjo de Sua presença (Isaías 63.9), o Salvador de Seu povo.
2 A Trindade no Novo Testamento
Nas Escrituras a verdade é progressiva. Quando chegamos, portanto, ao Novo Testamento, encontramos um quadro mais explícito da natureza trinitária de Deus. O próprio fato de se dizer de Deus que Ele é amor (1Jo 4.8) implica em que deve existir uma pluralidade dentro da Divindade, uma vez que o amor só pode existir em uma relação entre seres diferentes.
2.1 No Evangelho de Mateus
No batismo de Jesus encontramos os três membros da Divindade em atividade ao mesmo tempo: Batizado Jesus, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba, vindo sobre ele. E eis uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo (Mt 3.16-17). O relato do batismo de Jesus é uma notável manifestação da doutrina da Trindade – ali estava Cristo em forma humana, visível a todos; o Espírito Santo descendo sobre Cristo em forma corpórea, como uma pomba; e a voz do Pai falou do céu: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.” Em João 10.30, Cristo reclama igualdade com o Pai, e, em Atos 5.3, o Espírito Santo é identificado como Deus. Portanto, é difícil, se não impossível, explicar a cena do batismo de Cristo de qualquer outra forma a não ser admitir que há três pessoas na natureza ou essência divina. No batismo de Jesus, o Pai O chamou de “meu Filho amado”. A filiação de Jesus, porém, não é ontológica, mas funcional. No plano da salvação, cada membro da Trindade aceitou uma função específica. É uma função com a finalidade de atingir um objetivo específico, não uma mudança de essência ou condição. Millard J. Erickson explica isto deste modo: O Filho não Se tornou menos do que o Pai durante Sua encarnação terrestre, mas subordinou-Se funcionalmente à vontade do Pai. Igualmente, o Espírito Santo está agora subordinado ao ministério do Filho (João 14.16), bem como à vontade do Pai, mas isto não implica em que Ele é menos do que são Eles.
2.2 Nos Escritos de Paulo
Paulo e os demais escritores do Novo Testamento geralmente usam a palavra “Deus” ao se referirem ao Pai, “Senhor” quando se referem ao Filho, e “Espírito” referindo-se ao Espírito Santo.
Em 1 Coríntios 12.4-6, Paulo se refere aos três no mesmo texto: “Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. E também há diversidade nos serviços, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de realizações, mas o mesmo Deus é quem opera tudo em todos”. Este capítulo fornece-nos uma visão do funcionamento da Igreja como corpo de muitos membros, que têm diferentes encargos, porém todos em harmonia, visto serem unificados por “um só Espírito” (v.13). Este é o Espírito Santo. Antes, quando eram gentios, deixavam-se levar de um lado para outro, sem alvo ou objetivo na vida (v.2); porém agora, o fato de chamarem Jesus de “Senhor” prova que são guiados pelo Espírito; e, inversamente, é só por ser guiado assim que alguém pode reconhecer a Jesus como o Senhor; o Espírito Santo, e somente Ele, dá testemunho de Cristo. O que os cristãos devem aprender é que o Espírito Santo usa diferentes homens de diferentes modos, repartindo diferentes dons a cada um (v.4). De igual maneira em Jesus Cristo (o Senhor do vers. 5) há diferentes ministérios por Ele exercidos junto aos homens, e em Deus Pai há diferentes operações que Ele empreende no mundo (v.6). A interpretação destes versículos deixa claro que temos aí uma importante declaração sobre a doutrina da Trindade.
Semelhantemente, em 2 Coríntios 13.13, ele enumera as três pessoas da Trindade: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós. Amém”.
Conclusão. Embora com a doutrina da Trindade haja certas dificuldades textuais e conceituais, nosso estudo do Antigo e do Novo Testamento tem produzido algumas possíveis respostas. Temos visto que a Divindade existe em uma pluralidade, que Jesus é Deus, coexistente como Pai desde a eternidade, e que o Espírito Santo é a terceira pessoa da Divindade. Os textos difíceis da Bíblia são melhor compreendidos em harmonia com o restante das Escrituras. É de pouco valor para a Igreja causar divisão por causa de diferentes compreensões de alguns aspectos da Divindade. Conquanto o mistério da Trindade jamais possa ser plenamente compreendido pelo homem finito, é uma doutrina bíblica que faz parte da Fé Cristã.
Pr. Vicente Leite
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