O voto de JEFTÉ .
[Autoria: Prof. Vicente Paula Leite
 

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A filha de Jefté foi sacrificada ou não? (Juízes 11.29).

Jefter sacrificou ou não sua filha? Esse é o grande questionamento por parte de muitos que leem o presente texto da Bíblia (Juízes 11.29). Antes de responder sim ou não, o que seria mais prático, discutiremos o assunto topicamente a fim de que se possa entender a resposta. Vejamos:

I COMENTÁRIO CONTEXTUAL

(1) SERVIDÃO SOB OS FILISTEUS E OS AMONITAS (Jz 10.6-18)

Juízes 10.6: Tornaram os filhos de Israel a fazer o... Mal. Mais uma vez, os israelitas abandonaram o Senhor e serviram a outros deuses. Na religião cananéia, a pessoa podia ser praticante da religião e, também, da prostituição cultual. Na busca de fertilidade através dos seus deuses, os adeptos daquelas religiões criam que a religião e práticas sexuais pecaminosas eram compatíveis entre si.

Juízes 10.7: E a ira do Senhor se acendeu. A ira contra o pecado e a iniqüidade é um atributo intrínseco de Deus. Trata-se de uma expressão da sua bondade e amor em relação à justiça.

Os filisteus invadiram o território israelita a ocidente do Jordão pelo lado da planície costeira onde se estabeleceram um século antes, enquanto os filhos de Amom atacavam a área da Transjordânia. Os israelitas reagiram primeiro contra a ameaça amonita, ganhando a vitória, aliás temporária, visto que, algumas décadas mais tarde encontramos uma recrudescência da ameaça amonita no início do reinado de Saul (1Sm 11.1 e segs.). Os amonitas, como os seus parentes moabitas e, aliás, outros povos da Transjordânia, parece terem se organizado como reino no século XIII a.C. Na presente invasão do território israelita, talvez fossem acompanhados pelos moabitas (cfr. 11.15,24), assim como Eglom teria sido pelos amonitas (3.13). Porém o Senhor disse aos filhos de Israel (11), provavelmente pela boca dum profeta, como em 6.8 e segs. Porventura dos egípcios e dos amorreus, e dos filhos de Amom e dos filisteus, e dos sidônios, e dos amalequitas e dos maonitas, que vos oprimiam, quando a mim clamastes, não vos livrei? (11-12). Nesta evocação expressiva faz-se alusão ao Êxodo, à derrota de Seom (11.13 e segs.n), aos libertadores Eúde (3.13) e Sangar (3.31). Quanto aos sidônios, não se sabe que gênero de opressão tenham exercido, ao contrário dos amalequitas, cuja ação é referida em 3.13; 6.3. A respeito dos maonitas, os LXX lêem "midianitas", podendo, no entanto, o nome associar-se ao de

Juízes 10.16: Então, se angustiou a Sua Alma por causa da desgraça de Israel. Isto se refere a Deus. Então se angustiou a sua alma (16), literalmente, "encurtou", isto é, "impacientou-se". Embora os israelitas merecessem com justiça a aflição e o aperto que passavam, Deus comoveu-se profundamente com a agonia deles.

Ma'an, perto de Petra. Os de Israel se congregaram, e se puseram em campo em Mispa (17). O vocábulo Mispa significa "torre de vigia", e talvez se possa identificar com o "montão do testemunho" erguido por Jacó e Labão (Gn 31.46 e segs.), ou com Ramate-Mispa ou Ramote-Gileade (Dt 4.43; Js 13.26; 1Rs 4.13), a cerca de 70 quilômetros ao norte de Amã.

(2) A ESCOLHA DE JEFTÉ (Jz 11.1-11)

Jefté (1). Em heb. Yiphtah, talvez abreviatura de yiphtah-El, "Deus abre (i.e. o ventre)" citado como nome próprio em sabeano ou saber.

Filho duma prostituta (1). Por isso, tal como Abimeleque, era meio cananeu, e não o reconheciam como membro do clã de seu pai.

Terra de Tobe (3). Provavelmente a norte do reino de Amom, e a oriente da tribo de Manassés transjordânica.

Homens levianos se ajuntaram com Jefté (3). Estes levianos eram provavelmente "homens falidos", como os que se associaram a Davi na caverna de Adulão (1Sm 22.1-2).

E saíam com ele (3), isto é, acompanhavam-no nas pilhagens. Por outras palavras, Jefté não passava dum chefe de bandoleiros.

Vem, e sê-nos por cabeça (6). Em heb. qasin, palavra com certa relação com o árabe qadi, "aquele que profere uma decisão legal".

E Jefté falou todas as suas palavras perante o Senhor em Mispa (11). Um pacto solene foi efetuado neste santuário entre Jefté e os anciãos de Gileade, comprometendo-se estes, por meio de um juramento, a tomá-lo por chefe, e do mesmo modo aquele a cumprir a sua missão.

(3) PROTESTO DE JEFTÉ JUNTO DO REI DE AMOM (Jz 11.12-28)

Porquanto, saindo Israel do Egito tomou a minha terra (13). Conforme depreendemos de Jefté, faz-se alusão a todo o território que Seom conquistara aos moabitas (cfr. Nm 21.26-30). Deste passo e da referência a Camos no vers.  (14) Se tomarmos o texto, tal como se encontra, é evidente que tanto Moabe como Amom estavam empenhados nesta luta com Israel. Desde Arnom até Jaboque, e ainda até ao Jordão (13). São as fronteiras respectivamente sul, norte e oeste do reino de Seom, que a leste era limitada pelo país de Amom. É muito possível que Seom tenha formado o seu reino à custa de Amom e Moabe. Israel não tomou nem a terra dos moabitas, nem a terra dos filhos do Amom (15). Confirma-se a aliança entre Moabe o Amom.

Andou pelo deserto até ao Mar Vermelho (16), possivelmente até ao Golfo de Acaba. Não se faz qualquer alusão aos acontecimentos do Sinai, por serem de pouca monta ao caso de Jefté.

E chegou até Cades (16), isto é, Cades-Barnéia, ao sul do Neguebe, nos limites do reino de Edom.

E Israel enviou mensageiros ao rei dos edomitas (17). Cfr. Nm 20.14-21. Enviou também ao rei dos moabitas (17). Não se encontra no Pentateuco qualquer alusão a esta mensagem. Os israelitas aceitaram a resposta desfavorável apresentada por aqueles povos seus parentes, mas exerceram uma ação violenta contra o amorreu Seom, cuja atitude tinha sido idêntica.

Pelo deserto (18), i.e, de Zim. E rodeou a terra dos edomitas e a terra dos moabitas (18), isto é, passou ao sul e a oriente de Edom e a oriente de Moabe em vez de seguir a "estrada real", que percorre de norte a sul estes reinos e ainda os territórios de Seom o Ogue. Cfr. Nm 21.4,13. Fortalezas bem definidas barravam o caminho nas fronteiras dos reinos de Edom e Moabe. Devia ser na Primavera que Israel contornou estes territórios, dada a abundância de água e de pastagens.

O rio Arnom é limite dos moabitas (18). A norte dividia o reino de Seom, mais tarde o território de Rúben. Mas Israel enviou mensageiros a Seom (19). Cfr. Nm 21.21 e segs. Hesbom (19). É a moderna Hesbam, a cerca de 30 quilômetros a oriente do Jordão e 40 ao norte do Arnom.

Jasa (20). Posto avançado israelita (hoje desconhecido), é mencionado na "Pedra de Moabe" mais tarde tomado por Mesa e junto a Debom, a 7 quilômetros do Arnom.

Desde Arrnom até Jaboque (22). Na divisão do território a parte norte desta zona foi para Gade, e a sul para Rúben.

Não possuirias tu aquele que Quemos (deus Camos, NVI), teu deus, desapossasse de diante de ti? (24). Quemos era o deus dos moabitas, enquanto o dos amonitas era Milcom (1Rs 11.5). O argumento sarcástico de Jefté não implica necessariamente que ele considerasse Quemos e Jeová como deuses nacionais em pé de igualdade, embora não fosse de estranhar que um semicananeu como Jefté tomasse essa atitude. O rei Mesa atribui as suas derrotas e vitórias à ira ou à benevolência de Quemos, segundo a pedra de Moabe. Jefté argumenta que cada uma das divindades manifestou a sua vontade Jeová, dando a Israel a vitória sobre Seom; Quemos, não permitindo que Moabe pudesse resistir às primitivas usurpações de Seom. Em qualquer caso, a vontade divina devia ser cumprida. E só o fato de Jeová ter feito por Israel o que Quemos fez por Moabe é mais que suficiente para manifestar o poder superior do grande Jeová. És tu ainda melhor do que Balaque...? (25). Se o rei de Moabe na altura da derrota de Seom, não reclamou o território que Israel ganhara a Seom, apesar de pertencer anteriormente aos moabitas, é porque graves motivos o impediam de agir assim.

Aroer (26). Era a cidade situada mais ao sul de todo o reino de Soem, a norte do Arnom.

Trezentos anos (26). Número que indica inclusivamente que se estava no terceiro século desde os acontecimentos a que se faz referência.

(4) VITÓRIA E VOTO DE JEFTÉ (Juízes 11.29)

Então o Espírito do Senhor veio sobre Jefté (29), dando-lhe assim o privilégio de entrar no número carismático dos guias do povo do Senhor.

E atravessou ele por Gileade e Manassés (29), para recrutar os seus soldados.

Passou até Mispa de Gileade (29). Ali se encontrava o arraial dos israelitas (10.17), donde passou até (ou "contra") aos filhos de Amom.

(5) O VOTO DE JEFTÉ

E Jefté votou um voto ao Senhor (30). É costume citar um case idêntico narrado por Sérvio (comentador latino de Virgílio) acerca de Idomeneu, rei de Creta, que foi apanhado por uma tempestade, quando regressava da guerra de Tróia, e fez o voto de sacrificar aos deuses a primeira rês que encontrasse no caminho, caso voltasse são e salvo à pátria, vítima que veio a ser o próprio filho.

(6) A VITÓRIA DE JEFTÉ

E os feriu... desde Aroer até chegar a Minite... e até Abel-Queramim (33). Significa este nome em hebraico "planícies das vinhas", desconhecendo-se o local exato, tal como o de Minite. De Aroer sabe-se que ficava situada ao norte do Arnom, a 7 quilômetros a sudoeste de Dibom.

(7) RETORNO PARA CASA

Eis que sua filha lhe saiu ao encontro (34). Repare-se na simplicidade de tão comovedora narrativa! Houve quem inferindo dos vers. 38-40 ventilasse a hipótese de ver na atitude de Jefté uma mudança do destino da filha, substituindo o holocausto pela virgindade perpétua.

(8) O CUMPRIMENTO DO VOTO

Mas não é o que se depreende do texto. A afirmação de que cumpriu nela o seu voto que tinha votado (39) refere-se, sem dúvida, ao sacrifício real da filha. Embora o sacrifício humano fosse proibido aos israelitas, não surpreende que um semi-cananeu tomasse tão estranha atitude. Caso paralelo é o do rei de Moabe, Mesa, que sacrificou o seu filho primogênito (2Rs 3.27). Compare-se ainda, na mitologia grega, o sacrifício de Ifigênia e Policena. A nobreza de caráter manifestada pela filha de Jefté fez dela uma das heroínas mais célebres do mundo.

Em nota de rodapé da Bíblia de Estudo Pentecostal (11.39) assim está escrito: Tudo indica que Jefté não ofereceu fisicamente sua filha em sacrifício (vv. 30,31), por duas razões, pelo menos: (1) Ele certamente conhecia a lei de Deus que proibia rigorosamente sacrifícios humanos, e por certo sabia que Deus tinha tal ato como uma abominação intolerável (Lv 18.21; 20.2-5; Dt 12.31; 18.10-12). (2) A menção enfática que "ela não conheceu varão" (i.e., não se casou), deixa claro que ela foi apresentada a Deus como um sacrifício vivo, dedicando toda sua vida como virgem, e ao serviço do santuário nacional de Israel (Êx 38.8; 1 Sm 2.22).

Chore a minha virgindade (37). Dean Stanley autor contemporâneo, chegou a comparar esta figura bíblica à Antigone de Sófocles.

As filhas de Israel iam de ano em ano lamentar a filha de Jefté (40), isto é, "cantar" ou "celebrar". O costume degenerou depois numa festa da vegetação, afirmando Epifânio que, no seu tempo (século IV da nossa era), a filha de Jefté era venerada em Siquém com o nome grego de Kore ("Donzela"), nome com que Perséfone era também venerada em Elêusis.

II COMENTANDO O CONTEXTO E RESPONDENDO A QUESTÃO

Depois de uma visão contextual responderei a pergunta do amado. Vamos, contudo formular outras questões associadas ao VOTO para melhor elucidação dos fatos.

  1. Por que Jefté não foi alertado por Deus sobre o possível resultado? Não faltou misericórdia divina? A misericórdia divina sempre existiu, inclusive, em Gênesis 22 (Deus prova Abraão), poupando seu único filho Isaque do holocausto, ali foi uma ordenança de Deus para provar a fé de Abraão. Aqui foi outra situação. Deus não interfere no livre arbítrio dos homens de fazerem suas burrices até mesmo em caso de votos (Eclesiastes 5.4,5).

 

  1. Deus permitiu que ele sacrificasse sua única filha? Jefté escolheu o preço a pagar e pagou. Basta ler sem reservas o versículo 39: “E sucedeu que, ao fim de dois meses, tornou ela para seu pai, o qual cumpriu nela o seu voto que tinha feito; e ela não conheceu varão...”. O fato de afirmar na seqüência de que ela “não conheceu varão”, não significa que Jefté tenha mudado o voto, mas que ela foi sacrificada ainda virgem. É só isso o que a Bíblia está dizendo. Lembrando que Deus nada pediu a Jefté, não o obrigou ou participou do sacrifício oferecido. Uma vez que sequer era dedicado a Ele, e sim uma troca de favor proposta por Jefté por sua vitória (que já anteriormente, o orgulhoso Jefté pediu para ser o cabeça de seu povo, e fez com que os anciãos assim lhe prometesse tal honraria). Obs.: Seu comando sobre o povo durou apenas 6 anos.
  1. Se o Espírito de Deus veio sobre Jefté, por que ele fez o voto? O fato de o Espírito de Deus vir sobre Jefté, não significa que foi ELE que o incitou a fazer o voto. O Espírito do Senhor não impulsiona ninguém a fazer votos malucos, nem tampouco é condicionado a votos. O objetivo do Espírito do Senhor vir sobre Jefté foi outro, dar vitória a Israel que estava em condições de opressões.

 

  1. Sabe-se que existem correntes teológicas que dizem que ele não sacrificou sua filha, alegam que ela permaneceu virgem até sua morte. Como é o caso da nota de Rodapé da Bíblia de Estudo Pentecostal. Porventura não estão corretas? Sim, existem correntes teológicas que preferem esconder o que ocorreu, porém, a palavra de Deus nos diz que houve de fato o sacrifício. Leia atentamente o texto que está bem esclarecido (v. 39).
  1. Por que Jefté fez esse voto? Um dos motivos que levou Jefté a esse voto, foi o fato de querer "se garantir" com Deus, achando que ele tinha algum trunfo na mão para "forçar Deus" a fazer algo em troca. Dá para se perceber que a doutrina iurdiana (da barganha) está na alma do homem desde há muito.

 

  1. Outra pergunta que inquieta a muitos é: se Jefté realmente sacrificou sua filha em 'honra ao Senhor', embora saibamos que YHWH - Yud Hei Vav Hei -, jamais foi favorável a esse tipo de coisa, por que então, o escritor inspirado registraria um fato dissonante como esse? Se nós raciocinássemos assim, muitas das questões sumiriam como fumaça diante dos nossos olhos. O registro dá-se porque há uma lição a ser extraída do texto. Foi um fato na história de Israel e o Espírito Santo achou conveniente registrar o fato, independente de concordar ou não.
  1. Era necessário que Jefté fizesse esse voto para vencer os filhos de Amon na guerra? Será que vindo o Espírito do Senhor sobre ele, não significaria que Amon tinha sido entregue nas suas mãos? O voto de Jefté foi no mínimo impensado, na tentativa de pagar de alguma forma a benção de Deus, com certeza utilizando-se de uma prática comum entre os pagãos, que faziam sacrifícios humanos aos seus deuses! Contudo, Jefté venceria os filhos de Amon sem necessidade de fazer o voto, sem necessidade de "barganhar" uma vitória com Deus. O que lhe garantiu a vitória não foi o voto, mas o Espírito do Senhor que veio sobre ele.

 

III DUAS TEORIAS PREDOMINANTES

Basicamente existem duas teorias predominantes a respeito do voto que Jefté fez para conseguir sua vitória sobre os amonitas (Jz 11.29-40).

Primeira Teoria

Alguns comentaristas (Keil-Delitzsch, A. Clarke, J. J. Blanco, G. L. Archer, etc.) fazem um grande esforço para tentar inocentar a Jefté, afirmando que o cumprimento do seu voto não significou em hipótese nenhuma na morte de sua única filha, mas simplesmente a consagração e dedicação dela ao Senhor, como virgem, por toda a sua vida. Os defensores dessa linha de pensamento argumentam:

  1. O fato de Jefté haver sido usado pelo “Espírito do Senhor” na batalha contra os amonitas o impediria de fazer um voto contrário à vontade de Deus (ver Dt 12.31; 18.9 e 10);

 

  1. A enunciação do voto em Juízes 11.31 sugere que se fosse um animal quem primeiro saísse da casa, este seria oferecido “em holocausto”, mas se fosse uma pessoa, esta seria simplesmente dedicada ao “Senhor” (ver Rm 12.1);
  1. A expressão “jamais foi possuída por varão” (Jz 11.39) significa que a filha de Jefté continuou vivendo como virgem para o resto de sua vida;

 

  1.  Se Jefté a houvesse realmente sacrificado, o nome dele não apareceria entre os heróis da fé, em Hebreus 11.32.

Segunda Teoria

Em contrapartida, autores como Josefo, Lutero, Matthew Henry, Jemieson-Fausset- Brawn, A. C. Hervey, H. A. Hofner Jr., E. J. Hamlin, etc., argumentam que a linguagem do próprio texto não deixa dúvidas de que Jefté realmente ofereceu sua filha em sacrifício. A favor dessa posição, pode-se mencionar:

  1. Jefté certamente estava familiarizado com a prática de sacrifícios humanos das nações circunvizinhas (ver Jz 11.1-3, 24); por isso foi fortemente influenciado por práticas pagãs de sua época;

 

  1. O fato de haver sido usado pelo “Espírito do Senhor” na vitória sobre os amonitas não o tornou infalível em suas demais decisões;
  1. Juízes 11.31 sugere claramente que a pessoa que primeiro saísse da casa de Jefté seria dedicada ao Senhor “em holocausto”;

 

  1. A reação de Jefté em Juízes 11.35 seria exagerada se a questão envolvida fosse apenas a dedicação de sua filha em celibato ao Senhor;
  1. Não faria sentido chorar “a sua virgindade” por “dois meses” (Jz 11.38) já que a moça continuaria virgem;

 

  1. O próprio texto declara que Jefté fez com sua filha “segundo o voto por ele proferido” (Jz 11.39);
  1. Os heróis da fé mencionados em Hebreus 11 não eram pessoas que nunca pecaram, e sim pessoas que alcançaram a vitória sobre os seus pecados (ver, por exemplo, Êx 2.11-15; Jz 13.16; 2Sm 11.12).

 

Bem, embora toda essa questão permaneça aberta à discussão e até hoje não se conseguiu chegar a um denominador comum.

A posição de que o voto de Jefté foi um ato indevido e precipitado, que acabou custando a vida de sua própria filha, é a posição mais apropriada e aceita de conforme com o texto bíblico do acontecimento.

Uma maioria dos evangélicos preferem aceitar a literalidade do texto não deixando é claro de caracterizar tal voto como um voto precipitado, indevido e inpensado deixando Jefté na vizinhança de dois sentimentos: Tristeza e Impotência.

Pr. Vicente Leite