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A
expressão "a palavra de Deus" (também "a palavra do Senhor", ou
simplesmente "a palavra") possui várias aplicações na Bíblia. Obviamente,
refere-se, em primeiro lugar, a tudo quanto Deus tem falado diretamente.
Quando Deus falou a Adão e Eva (Gn 2.16,17; Gn 3.9-19), o que Ele
lhes disse era, de fato, a palavra de Deus. De modo semelhante,
Ele se dirigiu a Abraão (Gn 12.1-3), a Isaque (Gn 26.1-5), a Jacó
(Gn 28.13-15) e a Moisés (Êx 3-4). Deus também falou à totalidade
da nação de Israel, no monte Sinai, ao proclamar-lhe os dez mandamentos
(Êx 20.1-19). As palavras que os israelitas ouviram eram palavras
de Deus. Além da fala direta, Deus ainda falou através dos profetas.
Quando eles se dirigiam ao povo de Deus, assim introduziam as suas
declarações: "Assim diz o Senhor", ou "Veio a mim a palavra do Senhor".
Quando, portanto, os israelitas ouviam as palavras do profeta, ouviam,
na verdade, a palavra de Deus.
A mesma coisa pode ser dita a respeito do que os apóstolos falaram
no NT. Embora não introduzissem suas palavras com a expressão "assim
diz o Senhor", o que falavam e proclamavam era, verdadeiramente,
a palavra de Deus. O sermão de Paulo ao povo de Antioquia da Pisídia
(At 13.14-41), por exemplo, criou tamanha comoção que, "no sábado
seguinte, ajuntou-se quase toda a cidade a ouvir a palavra de Deus"
(At 13.44). O próprio Paulo assegurou aos Tessalonicenses que, "havendo
recebido de nós a palavra da pregação de Deus, a recebestes, não
como palavra de homens, mas (segundo é, na verdade) como palavra
de Deus" (1 Ts 2.13; At 8.25).
Além disso, tudo quanto Jesus falava era palavra de Deus, pois Ele,
antes de tudo, é Deus (Jo 1.1,18; 10.30; 1Jo 5.20). Lucas, escritor
do terceiro evangelho, declara explicitamente que, quando as pessoas
ouviam a Jesus, ouviam na verdade a palavra de Deus (Lc 5.1). Note
como, em contraste com os profetas do AT, Jesus introduzia seus
ditos: Eu "vos digo..." (Mt 5.18,20,22,23,32,39; 11.22,24; Mc 9.1;
10.15; Lc 10.12; 12.4; Jo 5.19; 6.26; 8.34). Noutras palavras, Ele
tinha dentro de si mesmo a autoridade divina para falar a palavra
de Deus. É tão importante ouvir as palavras de Jesus, pois "quem
ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna
e não entrará em condenação" (Jo 5.24). Jesus, na realidade, está
tão estreitamente identificado com a palavra de Deus que é chamado
"o Verbo" ["a Palavra"] (Jo 1.1,14; 1Jo 1.1; Ap 19.13-16; Jo 1.1).
A palavra de Deus é o registro do que os profetas, apóstolos e Jesus
falaram, isto é, a própria Bíblia. No Novo Testamento, quer um escritor
usasse a expressão "Moisés disse", "Davi disse", "o Espírito Santo
diz", ou "Deus diz", nenhuma diferença fazia (At 3.22; Rm 10.5,19;
Hb 3.7; 4.7); pois o que estava escrito na Bíblia era, sem dúvida
alguma, a palavra de Deus.
Mesmo não estando no mesmo nível das Escrituras, a proclamação feita
pelos autênticos pregadores ou profetas, na igreja de hoje, pode
ser chamada a palavra de Deus. Pedro indicou que, a palavra que
seus leitores recebiam mediante a pregação, era palavra de Deus
(1 Pe 1.25), e Paulo mandou Timóteo "pregar a Palavra" (2 Tm 4.2).
A pregação, porém, não pode existir independentemente da Palavra
de Deus. Na realidade, o teste para se determinar se a palavra de
Deus está sendo proclamada num sermão, ou mensagem, é se ela corresponde
exatamente à Palavra de Deus escrita. O que se diz de uma pessoa
que recebe uma profecia, ou revelação, no âmbito do culto de adoração
(1Co 14.26-32)? Ela está recebendo, ou não, a palavra de Deus? A
resposta é um "sim". Paulo assevera que semelhantes mensagens estão
sujeitas à avaliação por outros profetas. Todavia, há a possibilidade
de tais profecias não serem palavra de Deus (1Co 14.29 "E falem
dois ou três profetas, e os outros julguem"). É somente em sentido
secundário que os profetas, hoje, falam sob a inspiração do Espírito
Santo; sua revelação jamais deve ser elevada à categoria da inerrância
(1Co 14.3).
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