A Existência de Deus.
[Autoria: Profº. Vicente Paula Leite
 

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Há uma falácia por parte de pseudos teólogos de que “Deus não existe”. Justificam tal raciocínio pelo fato de que Deus não foi criado, “e o que existe é só o que foi criado”, asseguram. Raciocinar desta forma é apenas sofismar e delirar acerca do que não conhece. Deus existe não porque tenha sido criado, mas pelo fato de sempre ter existido.

A Bíblia não procura oferecer-nos qualquer prova racional quanto à existência de Deus! Pelo contrário: ela já começa tomando a sua existência como pressuposição básica: "No princípio, Deus" (Gn 1.1). Deus existe! Ele é o ponto de partida. Por toda a Bíblia, há evidências substanciais em favor de sua existência. Se de um lado "disseram os néscios no seu coração: Não há Deus" (SI 14.1); por outro: "os céus manifestam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos" (SI 19.1). Deus se tornou conhecido mediante o seu ato de criar e de sustentar tudo quanto existe. Ele dá vida, alento (At 17.24-28), alimento e alegria (At 14.17). Essas ações são acompanhadas por palavras que interpretam o seu significado e relevância, fornecendo um registro que explica sua presença e propósito. Deus também revela a sua existência através do ministério dos profetas, sacerdotes, reis e servos fiéis. Finalmente, Deus se revelou claramente a nós mediante o Filho e por intermédio do Espírito Santo que em nós habita.

Os que, entre nós, acreditam que Deus haja se revelado nas Escrituras, descrevem a Deidade única e verdadeira tendo como base sua auto-revelação. Vivemos, todavia, num mundo que, via de regra, não aceita esse conceito da Bíblia como fonte primária de informação. E são muitas as pessoas que preferem confiar na engenhosidade e percepção humanas para lograrem alcançar uma descrição particular da Deidade.

Sob o ponto de vista secular de se entender a história, a ciência e a religião, a teoria da evolução tem sido aceita por muitos como fato fidedigno. Segundo essa teoria, à medida que os seres humanos foram evoluindo, também evoluíram suas crenças religiosas e seus modos de expressá-las. A religião é apresentada como um movimento que parte de práticas e crenças simples para as mais complexas. Os seguidores da teoria da evolução dizem que a religião começa no nível do animismo - a crença de que poderes sobrenaturais, ou espíritos desencarnados, habitam nos objetos naturais e físicos. Tais espíritos, segundo suas próprias vontades malignas, teriam influência sobre a vida humana. O animismo evoluiu-se até transformar-se no politeísmo simples, no qual certos poderes sobrenaturais são considerados deidades. O passo seguinte, ainda segundo os evolucionistas, é o henoteísmo: uma das deidades atinge uma posição de supremacia sobre todos os demais espíritos, e é adorada em detrimento das outras. Segue-se a monolatria, quando as pessoas optam por adorar um só dos deuses, sem, porém, negar a existência dos demais.

A conclusão lógica (segundo essa teoria) é o monoteísmo que surge somente quando as pessoas evoluem-se ao ponto de negar a existência de todos os demais deuses e de adorar uma única deidade. As pesquisas realizadas pelos antropólogos e pelos missiologistas neste século, demonstram com clareza que essa teoria não é corroborada pelos fatos históricos, nem pelo estudo cuidadoso das culturas "primitivas" contemporâneas. Quando os seres humanos criam um sistema de crenças segundo seus próprios desígnios, ele não tende a se desenvolver em direção ao monoteísmo, mas, sim, ao animismo e à crença em vários deuses. A tendência é cair no sincretismo, acrescentando-se a estes deidades recém descobertas ao conjunto das que já são adoradas.

Em contraste com a evolução, temos a revelação. Servimos a um Deus que tanto age quanto fala. O monoteísmo não é o resultado do caráter humano evolucionário, mas do desvendamento que Deus fez de si mesmo. A revelação divina é progressiva na sua natureza à medida que Deus se revelou através dos registros bíblicos. Já no dia de Pentecostes, após a ressurreição e ascensão de Cristo, temos a prova de que Deus realmente se manifesta ao seu povo em três Pessoas distintas. Nos tempos do Antigo Testamento, porém, a prioridade era estabelecer o fato de que há um só Deus em contraste com os inúmeros deuses cultuados pelos vizinhos de Israel, em Canaã, no Egito e - na Mesopotâmia.

Através de Moisés, essa verdade foi proclamada: "Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR" (Dt 6.4). A existência de Deus e a sua atividade contínua não dependiam do seu relacionamento com qualquer outro deus, ou criatura. Pelo contrário: nosso Deus podia simplesmente "ser", optando por chamar o homem a estar ao seu lado (não porque Ele precisasse de Adão, mas porque este precisava de Deus).